HISTÓRIA DO
FLAMENGO
CLUBE DE REGATAS DO FLAMENGO

O início no remo
O Flamengo já nasceu com
a garra e o espírito vencedor. A idéia
da criação de um grupo organizado de
remo surgiu em bate-papos de jovens do bairro no Café
Lamas, no Largo do Machado. O objetivo era entrar
na disputa com clubes de outros bairros, como o de
Botafogo, que já atraíam a atenção
das mocinhas da época.
Jovens remadores - José Agostinho
Pereira da Cunha, Mário Spindola, Nestor de
Barros, Augusto Lopes, José Félix da
Cunha Meneses e Felisberto Laport – resolveram
comprar um barco. O escolhido foi um já velho,
porém adequado às finanças disponíveis.
Cotizaram o dinheiro, adquiriram o primeiro patrimônio,
que foi nomeado de Pherusa, e fizeram uma reforma
completa para utilizá-lo.
No dia 6 de outubro, os jovens,
mais Maurício Rodrigues Pereira e Joaquim Bahia,
foram dar a primeira volta com o barco. Saíram
da Ponta do Caju, na praia de Maria Angu (atual Ramos),
de tarde. Mesmo com o tempo ameaçador no céu,
Mário Spindola dirigiu rumo à praia
do Flamengo. Então, o primeiro grande desafio
do grupo surgiu. O forte vento virou a embarcação
e os náufragos tiveram que se segurar no que
restou da Pherusa.
Joaquim Bahia, excelente nadador,
saiu até a praia em busca de ajuda. Mas a chuva
cessou e logo apareceu um outro barco, o Leal, de
pescadores da Penha, e fez o resgate dos jovens e
da Pherusa. A preocupação passou a ser
Bahia, que depois de quatro horas chegaria à
praia, tornando-se o primeiro herói do Flamengo.
A recuperação de Pherusa
foi iniciada novamente. Quando ela já estava
quase pronta, foi roubada e nunca mais vista. Mas
o entusiasmo em fundar um grupo de regatas não
desapareceu.
Os jovens decidiram comprar outro
barco. George Lenzinger, José Agostinho, José
Félix e Felisberto Laport entraram na história,
juntaram o dinheiro necessário e compraram
o Etoile, de Luciano Gray, logo batizado de Scyra
e registrado na Union de Canotiers.
Na noite de 17 de novembro de1895,
no casarão de Nestor de Barros, número
22 da Praia do Flamengo, onde era guardada a Pherusa
e depois a Scyra, foi fundado o Grupo de Regatas do
Flamengo e, com ele, eleita a sua primeira diretoria:
Domingos Marques de Azevedo, presidente; Francisco
Lucci Colás, vice-presidente; Nestor de Barros,
secretário; Felisberto Cardoso Laport, tesoureiro.
Destacados ainda como sócios-fundadores,
José Agostinho Pereira da Cunha, Napoleão
Coelho de Oliveira, Mário Spíndola,
José Maria Leitão da Cunha, Carlos Sardinha,
Eduardo Sardinha, José Felix da Cunha Menezes,
Emygdio José Barbosa (ou Emygdio Pereira, ou
ainda Edmundo Rodrigues Pereira, há controvérsias)
Maurício Rodrigues Pereira, Desidério
Guimarães, George Leuzinger, Augusto Lopes
da Silveira, João de Almeida Lustosa e José
Augusto Chalréo, sendo que os três últimos
faltaram à reunião, mas assinaram a
ata dias depois e receberam o título.
No encontro, foi acordado que a
data oficial seria a de 15 de novembro, pois no aniversário
do Flamengo sempre seria feriado nacional (Dia da
Proclamação da República), e
que as cores oficiais seriam azul e ouro, em largas
listras horizontais.
Primeiras competições,
vitórias e mudanças
A preocupação com
o nacionalismo foi marcante no início do Flamengo.
Primeiramente, a denominação de grupo,
ao invés de clube, palavra estrangeira. Depois,
com a aquisição de novos barcos ao longo
dos anos, a origem dos nomes foi a indígena
(Aymoré, Iaci e Irerê) ao invés
dos antigos, derivados do grego (Pherusa e Scyra).
Mas foi com a Scyra mesmo que o
Flamengo entrou em sua primeira competição.
Um fiasco, causado pela inexperiência dos seus
remadores, que comeram um bacalhau à portuguesa
com vinho verde antes da disputa. O barco bateu na
baliza de sinalização, a tripulação
enjoou e, no fim, a embarcação do Botafogo
rebocou a Scyra. Passado o primeiro vexame, o Flamengo
começou a competir, mas só conseguiu
chegar em segundo e terceiro lugar. Por isso, foi
logo chamado de Clube de Bronze.
A primeira vitória veio no
dia 5 de julho de 1898, na I Regata do Campeonato
Náutico do Brasil, com Irerê, uma baleeira
a dois remos. Nesta época, o Flamengo já
reunia seguidores de todas as classes sociais, dos
intelectuais, passando pelas famílias tradicionais,
até os empregados de comércio, todos
torcedores fanáticos do grupo. As mocinhas
que caminhavam na praia do Russel acabam sempre no
número 22 e a sede do Flamengo ficou conhecida
como a "República da Paz e do Amor".
Antes um pouco, em 23 de novembro
de 1896, uma das mudanças mais significativas
na história do Flamengo. Como as camisas do
uniforme, listradas nas cores azul e ouro, eram importadas
da Inglaterra e desbotavam com facilidade devido ao
sol e ao mar das competições do remo,
Nestor de Barros propôs que elas fossem para
vermelha e preta. Junto com a mudança das cores
e o crescimento do Flamengo, veio a transformação
de Grupo em Clube, sugerida pelo poeta e cronista
Mário Pederneiras. Estava definitivamente concretizado
o amor rubro-negro pelo Clube de Regatas do Flamengo.
Futebol disputa espaço com
o remo
Depois de começar mal no
remo, o Flamengo foi pegando experiência com
o tempo. Afinal, outros grupos já existiam
há mais tempo e venciam as competições
com maior freqüência, como o Gragoatá,
o Botafogo e o Vasco da Gama. As primeiras provas
eram conquistadas enquanto a paixão pelo clube
aumentava.
A partir do início do século
XX, o futebol começava a disputar popularidade
na cidade do Rio de Janeiro com o remo. Mas, como
o clube rubro-negro não dispunha de departamento
de esportes terrestres, seus sócios eram obrigados
a acompanhar o Fluminense também, pois em Laranjeiras
havia um time para torcer.
O maior exemplo desta divisão
era Alberto Borgerth. Pela manhã, era remador
no Flamengo. À tarde, representava o Fluminense
no futebol. Os torcedores, sem opção
para acompanhar os dois esportes em um só clube,
seguiam o mesmo comportamento, dividindo-se na paixão
clubística.
O Flamengo, então, começou
a dar os seus primeiros passos no nobre esporte bretão.
O clube começa a disputar alguns amistosos.
No primeiro, realizado dia 25 de outubro de 1903 no
Estádio do Paissandú Atlético
Clube, perde do Botafogo por 5 a 1, com a seguinte
formação: G.V. de Castro, V. Fatam,
H. Palm, Sampaio Ferraz, A. Gibbons (capitão),
L. Neves, C. Pullen, M. Morand, A. Vasconcelos, D.
Moutinho e A. Simonsen, com os reservas M. Gudin e
A. Furtado.
Uma curiosidade é que o time
de futebol não entrava em campo com o uniforme
oficial do Flamengo. No primeiro jogo, vestiu camisas
brancas e shorts pretos. Depois, foi obrigado a usar
o Papagaio de Vintém e a Cobra Coral. O esporte
era malvisto pelo remo rubro-negro e, por isso, o
clube só se filiou à Liga Metropolitana
de Futebol – criada em 1905 - em 1912, depois
do ingresso dos ex-tricolores, ficando cerca de nove
anos disputando somente amistosos.
O futebol oficial no Flamengo
O futebol do Flamengo é dissidente
do Fluminense. Em 1911, o tricolor estava às
vésperas do título carioca, mas, atravessava
grave crise interna. O capitão do time, Alberto
Borgeth (o mesmo que remava pelo Flamengo), se desentendeu
com os dirigentes e, depois de conquistado o campeonato,
liderou um movimento de saída das Laranjeiras.
Dez jogadores campeões deixaram o Fluminense:
Othon de Figueiredo Baena, Píndaro de Carvalho
Rodrigues, Emmanuel Augusto Nery, Ernesto Amarante,
Armando de Almeida, Orlando Sampaio Matos, Gustavo
Adolpho de Carvalho, Lawrence Andrews e Arnaldo Machado
Guimarães.
Dia 8 de novembro, foi aprovado
o ingresso dos novos sócios. Os remadores do
Flamengo, porém, não eram favoráveis
à dedicação oficial do clube
rubro-negro ao futebol, caso que estava sendo analisado
por uma comissão da qual o líder era
justamente Alberto Borgerth.
Mas não teve jeito mesmo.
Em assembléia realizada no dia 24 de dezembro
de 1911, o Flamengo criou oficialmente o seu time
de futebol, sob a responsabilidade do Departamento
de Esportes Terrestres.
A equipe treinava na praia do Russel
e conquistava maior simpatia ainda com o povo, que
acompanhava de perto os atletas no dia-a-dia. No primeiro
jogo oficial, realizado dia 3 de maio de 1912, no
campo do América, na Campos Sales, uma goleada,
a maior da história do clube. O Flamengo venceu
o Mangueira por incríveis 15 a 2. A equipe
rubro-negra jogou com Baena, Píndaro e Nery;
Curiol, Gilberto e Galo; Baiano, Arnaldo, Amarante,
Gustavo de Carvalho, e Borgerth. Gustavo Adolpho de
Carvalho marcou o primeiro gol oficial da história
do Flamengo e fez outros três no jogo. Arnaldo
(4), Amarante (4), Borgeth (2) e Galo (1) completaram
o placar.
Como não possuía um
campo próprio, o Flamengo mandava os seus jogos
no Fluminense. Depois de um tempo, arrendou um espaço
na rua Paissandu, de propriedade da família
Guinle, e parou de considerar o estádio das
Laranjeiras como a sua casa.
O primeiro FLA X FLU e os primeiros
títulos
No dia 7 de julho de 1912, o Flamengo
disputou o seu primeiro Fla x Flu. Os campeões
dissidentes do tricolor que passaram a defender o
rubro-negro, porém, surpreendentemente perderam
por 3 a 2 no confronto com o ex-clube. Muitos dizem
que por causa desta derrota é que abriu-se
a enorme ferida que alimenta a eterna rivalidade do
clássico mais famoso do mundo, o único
que tem nome próprio.
Mas a primeira derrota para o rival
não abalou em nada o ânimo rubro-negro.
Nos oito primeiros anos de disputa futebolística,
dois tricampeonatos nos 2º Quadros (aspirantes
da época), 1912/13/14 e 1916/17/18, dois vice-campeonatos,
em 1912/13, e um bicampeonato com a equipe principal,
1914/15.
No primeiro título oficial
conquistado pelo Flamengo, apenas uma derrota, para
o Botafogo, por 2 a 1. Já o bicampeonato foi
invicto. Destacou-se nas duas campanhas o artilheiro
Riemer, com 8 gols em 1913, 14 e 15.
Conforme ia se afirmando como esporte
importante no clube, o futebol mudava de uniforme.
Em 1912, a estréia oficial foi feita com a
camisa quadriculada em vermelho e preto, logo apelidada
jocosamente de Papagaio de Vintém pelos adversários.
No ano seguinte, mudança para as listras vermelha
e preta, sendo que com um friso branco entre uma e
outra. Também ganhou apelido, o de Cobra Coral.
Como era muito semelhante ao pavilhão fascista
alemão, em 1914 ficou determinado finalmente
que os jogadores do futebol poderiam usar o mesmo
uniforme dos remadores, implantando-se, enfim, a igualdade
nos dois esportes. O resultado foi a conquista do
primeiro título. Superstição
ou não, funcionou e continuou assim.
Mas, após o bicampeonato de
1914/15, o Flamengo sofreu um duro golpe. A família
Guinle não quis renovar o contrato de arrendamento
do campo de treino da rua Paissandu, dando somente
a opção de compra. Como o clube não
dispunha de verbas para investimento de tal vulto,
ficou com o prazo até o dia 31 de dezembro
de 1931 para deixar o local.
A conquista definitiva do povo
A década de 20 foi boa para
o Flamengo. Depois de conquistar os títulos
de 1914/15 no futebol, o clube voltou a levantar o
título carioca em 1920, de forma invicta e
marcando a primeira dobradinha com o remo - que havia
ganho pela primeira vez no bicampeonato de 1916/17
- sendo campeão de terra e mar.
A taça de 1920 também
foi importante para aumentar ainda mais a rivalidade
com o Fluminense. Com a conquista, o Flamengo impediu,
pela primeira vez, um tetracampeonato do tricolor.
Em 1921, novo título no futebol.
Os principais nomes do time eram os atacantes Junqueira,
Candiota, Nonô e Sidney, Porém, nos três
anos seguintes, o Flamengo foi vice-campeão
seguidamente, voltando a conquistar o Carioca somente
em 1925. Nesta campanha, só foi derrotado uma
vez - pelo Fluminense, placar de 3 a 1 -, venceu pela
primeira vez outro tradicional rival, o Vasco da Gama,
por 2 a 0, e teve em Nonô o grande artilheiro
e destaque novamente, com 27 gols em 18 jogos.
Raça Rubro-Negra popular
No ano de 1927 aconteceram dois
episódios que comprovam muito bem a força
que o Flamengo já representava com apenas trinta
anos de história. O primeiro foi o poder rubro-negro
no futebol. O segundo, a sua famosa popularidade comprovada
em números.
Suspenso por um ano pela Associação
Metropolitana de Esportes Atléticos por ceder
o seu campo de treinamento ao Paulistano para um amistoso
com argentinos, o clube ficou sem jogadores. Os atletas
se transferiram para outros times ou abandonaram a
carreira, não acreditando que o Flamengo pudesse
reverter a situação.
Mas o povo se revoltou e exigiu
a volta do clube às competições.
Autorizado a disputar o campeonato carioca, o Flamengo
contou apenas com jogadores que já haviam encerrado
a carreira. Na primeira partida, uma goleada sofrida
frente ao Botafogo por 9 a 2. Mesmo assim, a raça
rubro-negra falou mais alto na hora da decisão
e o Flamengo reverteu a situação mesmo
com um time improvisado, sendo campeão em cima
do Vasco, vencendo as decisões do turno, 3
a 0, e do returno, 2 a 1.
Nesta última partida, o atacante
Moderato mostrou do que a paixão rubro-negra
é capaz, apesar do incipiente profissionalismo.
O jogador, que sofrera uma cirurgia de apêndice
dois dias antes do jogo, atuou com uma cinta e suportou
fortes dores até o fim dos noventa minutos.
O outro episódio marcante
do ano de 1927 é a eleição do
clube mais querido do Brasil. Com o objetivo de apontar
a agremiação mais popular do país,
o Jornal do Brasil promoveu uma votação
em que os leitores deviam enviar cupons apontando
o seu time do coração.
Os jornaleiros lusitanos, então,
escondiam os exemplares e só os vendiam aos
torcedores vascaínos. No dia de entregar os
cupons na sede do jornal, rubro-negros se disfarçaram
de portugueses e recolheram os votos cruzmaltinos,
jogando-os no poço do elevador e nas latrinas.
Na hora da contagem dos votos, o Flamengo foi eleito
o Mais Querido do Brasil. Estava comprovada definitivamente
a popularidade e a força do clube.
Preocupação com o
patrimônio Rubro-Negro
Junto com a conquista dos títulos
do futebol e do remo, o Flamengo se movimentava para
aumentar o seu patrimônio. Em 1920, os sócios
autorizaram a diretoria a comprar o prédio
do nº 66 e o restante do nº 68 (antigo nº
22, residência de Nestor de Barros e local de
fundação do Grupo de Regatas do Flamengo),
onde já estava sediada a sede náutica
e social do clube.
Quase no fim da campanha de arrecadação
junto ao quadro social, em 25 de março de 1925,
o presidente Faustino Esposel reuniu a diretoria e
comunicou a disposição do então
prefeito da cidade do Rio de Janeiro, Antônio
Prado Jr,. de ceder uma área de mais de 34
mil metros quadrados às margens da Lagoa Rodrigo
de Freitas.
Com a possibilidade de ter um grande
espaço para as atividades sociais e esportivas
do clube, a diretoria do Flamengo hipotecou os prédios
de º 66 e 68 assim que os adquiriu, visando aumentar
as verbas e poder dar início às obras
na Gávea para a construção do
estádio próprio.
O primeiro jogo na Gávea,
ainda sem muro e cercado por um punhado de madeiras,
aconteceu em 26 de novembro de 1926 entre a Liga de
Amadores de Foot-Ball (São Paulo) contra a
Association de Amateurs de Argentina.
Profissionalismo, jejum e Gávea
Os anos trinta foram marcados pelo
jejum rubro-negro no futebol. Ocupado em dar início
às obras no terreno da Lagoa, o Flamengo teve
o maior período sem títulos no esporte
mais popular.
Com a última taça
sendo conquistada de maneira brilhante em 1927, o
Flamengo só voltou ao posto de melhor time
carioca doze anos depois, no campeonato de 1939, já
com o seu estádio pronto.
Em 1936, 1937 e 1938, o rubro-negro
viu o tricolor ser campeão carioca, ficando
com o vice. Mas a espera valeu a pena, pois o título
de 1939 evitou, pela segunda vez, o inédito
tetracampeonato do Fluminense. O rival das Laranjeiras
havia contratado quase toda a seleção
paulista e ganho o tri nos anos anteriores. O Flamengo
tinha os craques Yustrich, Domingos da Guia, Leônidas
da Silva, Valido e Jarbas e não perdeu um jogo
para o então grande tricampeão –
venceu dois dos três confrontos, por 2 a 1 -,
coroando a campanha com uma vitória em cima
do Vasco por 4 a 0.
Construção da Gávea
Em de 14 de novembro de 1931, pelo
decreto municipal 3.686, o Flamengo ficou com o direito
de cessão e aforamento do terreno da Lagoa
garantido pelo prazo de 60 anos. Ali o clube construiu
seu primeiro estádio de futebol, com cercas
de madeira.
No dia 28 de dezembro de 1933, o
então presidente José Bastos Padilha
pagou a taxa de 497 contos de réis e o Flamengo
pôde começar as obras de construção
do estádio da Gávea – o Estádio
José Bastos Padilha -, com capacidade para
6 mil espectadores.
No lançamento da pedra fundamental
do estádio, o Prefeito do Distrito Federal
já era Pedro Ernesto, que foi homenageado na
ocasião. Em 10 de janeiro de 1935, pressionado
pela Prefeitura, o presidente José Bastos Padilha
anunciou o término da construção
do muro de alvenaria em volta do terreno, uma das
exigências do contrato de cessão do imóvel.
Foram colocados quatro portões de madeira e
construída uma pista de atletismo em volta
do campo. Algum tempo depois, o Flamengo conseguiu
a instalação de água para irrigação
do gramado e chuveiro nos vestiários, além
de luz elétrica e um telefone particular.
Em 14 de março de 1936, o
Conselho Deliberativo autorizou o início das
obras de construção das arquibancadas
do estádio. Foram arrecadados 500 contos de
réis para que a Comissão de Obras formada
por Mário Rebello de Oliveira, Manuel Joaquim
de Almeida, Comandante Alberto Lucena, José
Manoel Fernandes, Gustavo de Carvalho e Alejandro
Baldassini contratasse os construtores. A primeira
estaca, de um total de 160 a cargo da firma Pieux-Franki,
foi batida com uma grande solenidade no dia 9 de agosto
de 1936. Custo da obra: 360 contos de réis.
O preço total do estádio tinha sido
avaliado em 1 milhão e 100 mil contos de réis,
a cargo da Construtora Pederneiras S. A.
Para não parar a obra, era
preciso arranjar dinheiro e isso foi feito através
do lançamento de títulos de sócio
proprietário autorizado pelo Conselho Deliberativo
em sessão de 9 de janeiro de 1937. Inicialmente,
foram lançados 100 títulos a 4 contos
de réis cada um. Sucesso total, comprovando
mais uma vez a enorme popularidade do Flamengo junto
ao povo. Todos foram vendidos em 30 dias e o Flamengo
arrecadou 400 contos de réis. Mais 100 títulos
foram lançados – já com aumento
– a 5 contos de réis cada e também
vendidos. Mais 500 contos de réis no caixa
do Flamengo.
As obras estavam sendo tocadas a
pleno vapor quando o presidente José Bastos
Padilha renunciou ao cargo alegando cansaço
após cinco anos lutando pela construção
do estádio. Raul Dias Gonçalves assumiu
e completou o mandato até 31 de dezembro de
1938.
No meio do mandato de Raul Gonçalves,
o conselheiro Oscar Esposel propôs a inauguração
do Estádio da Gávea em 15 de novembro
de 1938, quando o Flamengo estivesse completando 43
anos de fundação. Mas a festa aconteceu
antes. No dia 4 de setembro de 1938, o Estádio
da Gávea, logo depois batizado "Estádio
José Bastos Padilha", foi inaugurado com
um jogo entre Flamengo e Vasco. Vitória vascaína,
por 2 a 0, mas a alegria era mesmo rubro-negra, por
estar com a nova casa concluída.
O primeiro Tri-campeonato
Depois do brilhante título
de 1939, o Flamengo perde o craque Leônidas
da Silva e assiste o Fluminense voltar a reinar no
início da década de 40. O tricolor conquista
o bicampeonato em 1940/41, deixando o rubro-negro
como vice nos dois anos, e parte rumo a outro tri.
Neste último ano, Pirilo, centroavante do Flamengo,
entra para a história do campeonato carioca,
ao marcar 39 gols, sendo o maior artilheiro num ano
da competição.
O então presidente do Flamengo,
Gustavo de Carvalho, decide dar plenos poderes ao
técnico Flávio Costa. O treinador estrutura
o time rubro-negro para impedir o título do
Fluminense.
Surge um dos três maiores
jogadores da história do Flamengo. Thomaz Soares
da Silva, o Zizinho, ou Mestre Ziza, tal era a sua
categoria. O craque comanda a equipe rubro-negra em
1942 e impede mais um tricampeonato tricolor, dando
início à primeira seqüência
de três títulos cariocas seguidos do
rubro-negro, em 1942/43/44.
Liderando uma grande equipe, na
qual se destacavam as lendas rubro-negras Yustrich,
Domingos da Guia, Biguá, Jaime, Valido, Pirilo
e Vevé, Zizinho leva o Flamengo à sua
primeira grande glória da história.
Em três anos, 44 vitórias,
188 gols marcados e apenas seis derrotas. Em 63 jogos
o time obtém média de três gols
por partida. Pirilo foi o artilheiro da campanha,
marcando 46 vezes. O grande destaque foi Valido, que
voltou ao futebol aos 41 anos, para marcar o gol do
tri. Mesmo sofrendo de febre, o centroavante argentino
fez 1 a 0, aos 41 min do segundo tempo da final disputada
na Gávea para 20 mil pessoas, contra o Vasco,
num lance muito polêmico – o jogador teria
se apoiado no zagueiro adversário para cabecear.
Choro vascaíno e alegria rubro-negra, em um
dos títulos mais saborosos da história
do Flamengo.
A ressaca depois do TRI
Conquistado o primeiro tricampeonato
da história do clube, o Flamengo não
consegue manter o time para a tentativa do tetra,
em 1946. Perácio é convocado pelo Exército
Brasileiro para lutar no fim da II Guerra Mundial
e sem Jurandir, Domingos da Guia e Valido, o rubro-negro
perde suas forças. O tiro de misericórdia
é dado pelo Vasco, que contrata o mentor Flávio
Costa.
São pouco os remanescentes
do tricampeonato e nem Zizinho e Jair da Rosa Pinto
são capazes de levar o clube ao quarto título
seguido. A crise se instala no futebol da Gávea
e o Flamengo não consegue mais do que as terceiras
colocações em 1945/46 e 1948/49. Pior,
começa o tabu, que iria durar até 1951,
de não vencer o Vasco por seis anos. A década
que começou bem para o Fla termina mal.
O segundo Tri-campeonato
A década de 50 começa
para o Flamengo da mesma forma que a de 40 terminou:
com crise no futebol. O presidente Dario de Melo Pinto
vende Zizinho para o Bangu, antes mesmo da Copa do
Mundo disputada no Brasil, numa negociação
lamentada por muitas décadas no clube rubro-negro.
Para piorar, o tabu contra o Vasco continua e, numa
goleada de 5 a 2 sofrida para o rival, a torcida fica
revoltada e queima a camisa 10 de Jair da Rosa Pinto,
exigindo a volta do técnico Flávio Costa.
O resultado de tanta turbulência é a
pior colocação rubro-negra na história
do campeonato carioca, um sétimo lugar, atrás
até do Olaria.
Diante de tamanho desastre, o treinador
do tri da década de 40 é contratado
pela diretoria. Mas o retorno à Gávea
de Flávio Costa não é igualmente
vitorioso. O time termina em quarto lugar em 1951
e é vice em 1952, perdendo o título
para o Vasco. Pelo menos termina com o tabu de derrotas
para os cruzmaltinos, em 1951, mas nada que segurasse
o técnico na Gávea novamente.
Em 1953, chega à Gávea
aquele que iria conduzir o Flamengo ao segundo tricampeonato
da sua história. O paraguaio Fleitas Solich
contrata os conterrâneos García, Chamorro
e Benítez e junta-os a uma geração
maravilhosa formada na Gávea. Na defesa, a
virilidade de Pavão e a habilidade de Jordan;
no meio-campo, a técnica de Dequinha, Rubens,
Paulinho e Moacir; na frente, um ataque habilidoso
e goleador, formado por Joel, Índio, Henrique,
Evaristo, Zagallo e Dida; destaques da campanha do
segundo tri conquistado em 1953/54/55.
No último ano do tri, a taça
é levantada depois de uma melhor de três
contra o América, em que o Flamengo vence a
primeira por 1 a 0, perde a segunda de goleada, 5
a 1, e devolve o placar dilatado na terceira, 4 a
1.
Conquistado o segundo tri da sua
história, o Flamengo não repete as brilhantes
atuações nos campeonatos seguintes e
termina em terceiro colocado em 1956 e 1957, sendo
vice em 1958 e sexto lugar em 1959.
Década de alegrias Rubro-Negras
A década de 50 foi uma das
melhores da história do Flamengo. Se não
venceu nenhum campeonato no remo, pelo menos no futebol
foi tricampeão carioca e revelou craques até
para a seleção brasileira campeã
mundial em 1958; no basquete teve a geração
maravilhosa de Algodão, comandada por Kanela,
que foi decacampeã carioca; no vôlei
foi duas vezes bicampeão com Carmen Godinha
e Zoulo Rabelo; e no atletismo conquistou um pentacampeonato
carioca e um brasileiro com Tião Mendes.
Tanta emoção vitimou
um dos maiores presidentes da história do clube.
Gilberto Cardoso, um símbolo do amor rubro-negro,
faleceu devido ao um infarto depois da emocionante
final do campeonato carioca de basquete de 1955, decidida
no último segundo. O Flamengo perdeu um dos
seus mais dedicados filhos numa época gloriosa.
Mais conquistas e o primeiro título
nacional
A década de 60 não
começou bem para o Flamengo. Além da
quarta colocação campeonato carioca,
a renúncia do presidente George Fernandes por
causa de dívidas do clube serviu para tumultuar
ainda mais o ambiente rubro-negro.
Fadel Fadel assume e dá sorte.
No seu primeiro ano, em 1961, o Flamengo conquista
o Torneio Rio-São Paulo, sendo a primeira taça
de nível nacional que vem para a Gávea.
Surge a geração de Carlinhos, Nelsinho,
Gérson, Jaime, Silva e Almir.
Em 1963, o Flamengo impede o tricampeonato
carioca do Botafogo. Começa mal o campeonato,
com duas derrotas, para América e Bangu. Mas
se recupera e não perde mais nenhuma partida
até o fim da campanha.
Este mesmo ano marca o fim do jejum
no remo, que vence após 20 anos e torna o Flamengo
campeão de terra e mar novamente. O presidente
Fadel Fadel inicia a construção do parque
aquático da Gávea, reestrutura o departamento
de natação do clube e organiza o esporte
que iria dar os bons frutos no fim da década
de 60, com o bicampeonato estadual e o primeiro Troféu
Brasil.
Depois do terceiro lugar em 1964,
o Flamengo tem um maravilhoso ano em 1965. No futebol
ganha o campeonato carioca e o Torneio do IV Centenário
do Rio de Janeiro, começa a campanha do pentacampeonato
do remo – sendo mais uma vez campeão
de terra e mar – e conquista o bicampeonato
do Troféu Brasil de atletismo, além
do estadual masculino do esporte.
Entra a administração
de Luis Roberto Veiga de Brito. Em 1966, um episódio
marcante, mas nem tão feliz para o clube. O
Flamengo perde a decisão do campeonato carioca
para o Bangu e Almir Pernambuquinho, raçudo
centroavante rubro-negro, não deixa a partida
acabar ao iniciar a maior briga da história
do Maracanã.
Era uma época difícil
para o futebol do Flamengo. Vivendo uma entressafra
de craques e tendo como maior adversário o
super-time do Botafogo, com Garrincha, Didi e Gérson,
o time rubro-negro fica no jejum na segunda metade
da década de 60. Em 1969, tem a oportunidade
de conquistar o título, mas perde para o Fluminense.
Se no futebol estava ruim, o remo
continuava a campanha do pentacampeonato e a natação
conquistava o bicampeonato carioca, depois de um longo
jejum de 28 anos, e o inédito Troféu
Brasil. Coisas de um clube forte em vários
esportes.
O começo da geração
de ouro
Depois de um fim de década
nem tão bom para o futebol, o Flamengo começa
a formar a geração que daria as maiores
glórias para o clube no esporte. Zico, que
chegara ao clube em 1967 pelas mãos do radialista
Celso Garcia, já se destacava nas escolinhas
rubro-negras. Em 1972, o Flamengo vence o campeonato
carioca depois de sete anos e o jovem craque lidera
o time juvenil no primeiro ano do bicampeonato da
categoria - já havia estreado nos profissionais
em 1971.
Neste ano ainda, outra grande alegria
foi a conquista do Torneio do Sesquincentenário
da Independência do Brasil. Porém, acontece
um desastre também, que seria reparado somente
nove anos depois. A goleada de 6 a 0 do Botafogo fere
a alma da torcida rubro-negra.
Em 1974, Zico passa a titular da
equipe principal do Flamengo e ganha o seu primeiro
título como profissional, em cima do Vasco,
campeão brasileiro do mesmo ano. O craque rubro-negro
dá uma pequena amostra do que seria capaz de
proporcionar ao clube.
Nos dois anos seguintes, não
teve como superar o Fluminense e sua máquina
tricolor. O presidente Francisco Horta montou um grande
time, não deixando chance para os rivais, e
conquistou o bicampeonato carioca.
Mas a espera valeu a pena. Em 1978,
o Flamengo conquistou um dos títulos mais marcantes
da sua história. Impediu o bicampeonato do
Vasco vencendo a partida no final - gol de Rondinelli
de cabeça - e deu início à campanha
do seu terceiro tricampeonato carioca, completado
em 1979 com dois títulos em um ano.
Era o início de um grupo
que brilharia intensamente na década de 80.
Os talentos incipientes de Júnior, Andrade,
Zico e Tita, a categoria veterana de Carpegiani e
Raul, coadjuvantes mais que brilhantes como Rondinelli
e Cláudio Adão e os que ainda estavam
por vir, como Leandro, Figueiredo, Mozer, Adílio,
Júlio César, das divisões de
base da Gávea, e Nunes, Baltazar e Lico.
Formação de talentos
também nos outros esportes
A preparação para
uma década maravilhosa, a de 80, não
foi privilégio só do futebol. A natação
do Flamengo formou os talentos que iriam trazer para
a Gávea uma extensa lista de títulos
cariocas e brasileiros durante mais de dez anos. Em
1978, ganhou o Troféu José Finckel e
iniciou em 1979 a sensacional sequência de títulos
estaduais que só iria terminar no fim da década
de 90.
No vôlei feminino e no remo,
os atletas rubro-negros eram formados já ganhando
títulos. As meninas venceram o estadual de
1977 depois de 16 anos de jejum e alcançaram
a glória nacional ao vencerem o campeonato
brasileiro em 1978. Já dentro d’água,
a sequência de títulos foi impressionante.
O Flamengo conquistou todos os cariocas da década,
vencendo o seu primeiro Troféu Brasil em 1978.
Década maravilhosa
A década de 80 foi a que
mais trouxe conquistas para o Flamengo. Anos em que
a alegria de ser rubro-negro era maior do que qualquer
outra coisa. Tempo em que Zico, o maior ídolo
da história do clube, reinava nos campos de
futebol, coadjuvado por estrelas como Raul, Leandro,
Mozer, Rondinelli, Júnior, Andrade, Adílio,
Júlio César, Tita, Nunes e Lico. Fora
dos gramados, o esporte amador ganhava tudo o que
disputava, na natação, basquete, remo
e judô.
Embalado pelo tricampeonato carioca,
em 1980, o Flamengo conquista o seu primeiro Campeonato
Brasileiro - até então, no Rio de Janeiro,
somente o Vasco havia se sagrado campeão nacional,
em 1974. Depois de perder no Mineirão por 1
a 0, Raul, Toninho, Manguito, Marinho e Júnior;
Andrade, Carpegiani e Zico; Tita, Nunes e Júlio
César entram em campo no Maracanã com
a obrigação de vencer. O esquadrão
rubro-negro faz uma emocionante final com o Atlético-MG,
ganha nos últimos minutos, com gol do centroavante
rubro-negro. A explosão de alegria seria a
primeira de muitas na década.
No ano seguinte, o Flamengo teve
as maiores felicidades que um clube pode alcançar,
tudo isso num espaço de dois meses. De novembro
até o fim do ano, o time foi campeão
estadual, da Taça Libertadores da América
e Mundial, tornando-se o segundo time da história
do futebol brasileiro a conquistar a glória
de ser o melhor do planeta. De quebra, ainda devolveu
uma goleada de 6 a 0 sofrida para o rival Botafogo
em 1972 e que ficou por quase 10 anos entalada na
garganta dos torcedores rubro-negros.
Participando pela primeira vez da
disputa da Taça Libertadores da América,
o Flamengo voltou todas as suas forças para
essa competição. Mostrou ser bom de
bola e valente sem ela também. Superou a violência
dos rivais sul-americanos e conquistou o título
de campeão do continente, em uma final muito
disputada, com o Cobreloa, vencida por 2 a 0 no terceiro
jogo, gols de Zico.
No dia 13 de dezembro de 1981, o
Flamengo entrou em campo para o jogo mais importante
da sua história. Raul, Leandro, Marinho, Mozer
e Júnior; Andrade, Adílio e Zico; Tita,
Nunes e Lico eram os onze encarregados de levar o
clube rubro-negro à conquista do título
mundial interclubes contra o Liverpool, poderoso time
inglês.
O Mengão mostrou sua força,
enfiou 3 a 0, gols de Nunes (2) e Adílio, já
no primeiro tempo e se sagrou campeão do mundo.
Era o êxtase maior da Nação, que,
em todas as partes do planeta, cantou como nunca a
alegria de ser rubro-negro.
No ano seguinte, mais motivo para
sorrir, com a conquista do bicampeonato brasileiro.
Da equipe campeã mundial, a única mudança
havia sido a entrada do jovem Figueiredo no lugar
do zagueiro Marinho. Na decisão, o Flamengo
venceu o Grêmio no seu terreiro por 1 a 0, gol
de Nunes (na foto ao lado)depois de passe de Zico,
pra variar.
Em 1983, o terceiro título
e a coroação de melhor time do Brasil
da década, já no começo da mesma.
Na final de Campeonato Brasileiro com maior público
de todos os tempos (mais de 155.253 pessoas), o Flamengo
novamente não deixou prevalecer a vantagem
do empate do adversário. Meteu um gol logo
aos 40 segundos de jogo, com Zico, e ampliou com Leandro
no fim da primeira etapa. No último minuto,
Adílio, o melhor em campo, fechou a goleada.
O clube rubro-negro se igualava ao Inter, tricampeão
em 1976/76/79, como o clube de maior número
de títulos nacionais do país.
Apesar do apogeu, o Flamengo perdeu
o seu maior ídolo. Na época em que os
clubes estrangeiros começavam a se tornar o
eldorado do futebol mundial, Zico se transfere para
o Udinese, da Itália, e a Nação
fica orfã. O resultado é um jejum de
títulos de três anos na década
mais gloriosa do clube da Gávea.
O Galinho de Quintino não
agüenta de saudades e volta em 1985. Os adversários
tremem de novo e, mesmo em recuperação
de mais uma cirurgia no joelho e envolvido com a seleção
brasileira, comanda um time jovem ao título
de campeão carioca de 1986, o segundo da década
de 80. Nesta equipe despontava aquele que poderia
ter sido o seu substituto, mas que não aproveitou
a chance e se perdeu em outros clubes. Bebeto foi
destaque da campanha e começou a se firmar
entre os profissionais.
Em 1987, junto dos veteranos Leandro,
Edinho e Andrade, dos novos talentos desenvolvidos
na Gávea, como Jorginho, Aldair, Leonardo,
Bebeto e Zinho, e de um endiabrado ponta direita,
Renato Gaúcho, Zico levanta a quarta taça
de campeão brasileiro, tornando, na época,
o Flamengo em maior detentor de títulos nacionais
de todos os tempos.
A década terminou de maneira
triste para o Flamengo. Em 1989, o craque maior da
história do clube da Gávea se despediu
dos gramados e deixou uma legião enorme de
fãs carentes. Como ficaria o Flamengo sem Zico?
Ainda mais que Bebeto e jovens valores da equipe rubro-negra
estavam sendo negociados, como Leonardo, Jorginho,
Aldair e outros craques veteranos já haviam
deixado o clube - Andrade e Renato Gaúcho foram
para o Roma e depois retornaram para outros clubes
brasileiros e Leandro abandonou os gramados.
Apesar de tudo, campeão
Zico não esteve presente
na história do Flamengo como jogador a partir
de 90. Mas, um outro remanescente da década
maravilhosa rubro-negra seguiu no comando da garotada
rubro-negra. Júnior, que voltara ao Flamengo
em 1989, comandou o time na primeira metade da última
década do século XX. Jogando no meio-campo,
o craque conquistou mais dois títulos nacionais,
um carioca e alavancou o Flamengo de novo ao posto
de um dos melhores times do Brasil.
Em 1990, o Flamengo ganhou a Copa
do Brasil no seu segundo ano de existência.
No estádio do Serra Dourada, segurou um empate
em 0 a 0 que lhe garantia o título, pois vencera
no primeiro jogo da decisão por 1 a 0, gol
de Fernando. Júnior começava a liderar
a geração campeã da Copa São
Paulo de Juniores, formada por Júnior Baiano,
Piá, Fabinho, Marquinhos, Djalminha, Paulo
Nunes, Nélio e outros.
No ano seguinte, em um dos Campeonatos
Carioca mais disputados da década, Júnior,
o ‘Maestro da Gávea’, como passou
a ser conhecido na época pelo seu requintado
futebol na armação de jogadas, organizou
a garotada rubro-negra no título carioca, junto
com o já experiente Zinho e Uidemar, o Ferreirinha.
O centroavante Gaúcho, com seus gols de cabeça,
torna-se uma das principais armas do time.
Em 1992, mesmo vindo da conquista
estadual, o Flamengo entrou desacreditado no Campeonato
Brasileiro. No começo da campanha, até
fez jus à falta de fé. Ficou atrás
na classificação e parecia não
ter forças para chegar entre os primeiros.
Mas, em uma arrancada sensacional,
passou à fase decisiva, elimina o favorito
time do Vasco e humilhou a constelação
de estrelas do Botafogo na final. Para se tornar pentacampeão
brasileiro e ampliar a vantagem como maior vencedor
desta competição no país, o jovem
time do Flamengo contou com os gols de Júnior,
artilheiro da campanha com nove gols (feito inédito
para o jogador), e o apoio da Nação
Rubro-Negra. A torcida mostrou a sua força
nos jogos finais, colorindo totalmente o Maracanã
em vermelho e preto no último jogo, espremendo
os rivais botafoguenses em um canto do estádio.
Nos dois anos seguintes, o Flamengo
sofre. Júnior se despede dos gramados e deixa
a Nação novamente sem rumo. "Quem
é o nosso ídolo agora?" - perguntavam-se
os rubro-negros.
Novos ídolos não correspondem
Em 1995, o ex-radialista Kléber
Leite assumiu a presidência e trouxe consigo
Romário (na foto ao lado), o craque da Copa
do Mundo de 1994, conquistada pelo Brasil. O novo
dirigente tirava o melhor jogador do mundo do clube
mais poderoso da Europa, o Barcelona. Junto com o
jogador, chega à Gávea Wanderley Luxemburgo,
treinador apontado pela imprensa como o melhor do
país. A promessa era, então, de um futuro
brilhante. No ano do seu centenário, o Flamengo
parecia que ia marcar a data com vitórias e
títulos. Mas não foi exatamente isso
que aconteceu.
Na fase decisiva do Campeonato Carioca,
o time abriu ampla margem de pontos do segundo colocado
e pareceu que iria dar a primeira alegria antes da
metade do ano. Mas, numa final emocionante, perde
para o Fluminense por 3 a 2, com o histórico
gol de barriga de Renato Gaúcho no fim do jogo,
e deixa a taça escapar.
A derrota abalou o início
da administração Kléber Leite,
que se desfez de parte do time e contratou jogadores
para o Campeonato Brasileiro. Em mais uma hábil
negociação, trouxe do Palmeiras, clube
mais rico do Brasil na época, o atacante Edmundo.
Além de ter em seu elenco um trio de frente
maravilhoso, com Sávio e Romário também,
o Flamengo atingiu o Vasco, ex-clube do jogador.
Mas, apesar de contar com o ‘ataque
dos sonhos’, o time vai mal no Campeonato Brasileiro
e perde um título no Maracanã. Numa
final em que a torcida rubro-negra lotou o Maracanã
sozinha, o Flamengo venceu o Independiente, da Argentina,
somente por 1 a 0 – precisava de pelo menos
dois gols de saldo – e não aproveitou
a última oportunidade de conquistar alguma
coisa no ano do centenário.
Promessas e dois títulos
Cariocas
Romário chegou à Gávea
em 1995 prometendo dar alegrias à torcida,
mas, passado o primeiro ano, o artilheiro não
havia conquistado nada. Já sem Edmundo, o presidente
Kléber Leite movimenta os cofres rubro-negros
e compra mais jogadores. Do Fluminense campeão
carioca e quarto colocado do Campeonato Brasileiro,
chegam o lateral-esquerdo Lira, os meias Márcio
Costa e Djair e o técnico Joel Santana. Tira
do Botafogo a revelação da competição
nacional, o armador Iranildo, e traz o atacante Amoroso,
destaque da seleção brasileira.
Com bons jogadores até no
banco de reservas, o Flamengo ganha o Campeonato Carioca
de 1996 sem perder para ninguém – o quarto
título invicto na história rubro-negra.
Na final, empate em 0 a 0 com o Vasco e muito alívio
depois de um jejum de três anos sem títulos.
A alegria dura pouco. Nas competições
seguintes, o time não mantém o mesmo
padrão. A diretoria compra e vende jogadores,
chegando a uma centena de transações
até 1998 (fim do seu mandato). Nesta leva,
Romário vai para a Europa e volta. Eem mais
uma hábil negociação de Kléber
:Leite, que chega na frente do Vasco, Bebeto é
contratado para reviver com o Baixinho a dupla de
ataque tetracampeã mundial, mas sai pela porta
dos fundos. Sávio é outro que também
afunda junto com a equipe e acaba sendo envolvido
numa troca com o Real Madrid.
O resultado de tanto entra e sai
é um Flamengo descaracterizado, com vários
jogadores que nem sequer esquentam o lugar na Gávea.
O time sofre derrotas constrangedoras e Kléber
Leite é chamado de pé-frio. A maior
alegria do período acaba sendo o desastre do
rival. O Vasco perde o título mundial no fim
de 1998 e faz os rubro-negros voltarem a sorrir.
Futuro promissor
A felicidade motivada pelos vascaínos
se prolongou em 1999. Edmundo Santos Silva foi eleito
presidente e não comprou nenhum jogador para
a disputa do Estadual. Limitou-se a manter a equipe
e a contratar um gerente de futebol, o ex-goleiro
Gilmar Rinaldi. No início do Campeonato Carioca,
então, o vice-presidente do Vasco, Eurico Miranda
desdenhou e afirmou que os outros clubes iriam disputar
o vice-campeonato. Mesmo com um time inferior tecnicamente,
o Flamengo supera na raça o rival e leva mais
uma taça para a Gávea, a 25ª da
sua história.
Durante o ano, o clube se agitou
em torno da discussão da proposta de parceria
da empresa suiça de marketing ISL, ao mesmo
tempo em que começou a se reforçar nos
esportes amadores (Oscar, o maior jogador brasileiro
de basquete de todos os tempos, e Virna e Leila, da
seleção nacional de vôlei, começaram
a defender as cores vermelha e preta) e continuou
sem contratar no futebol.
No Campeonato Brasileiro, o clube
não foi bem. Mas, na Copa Mercosul, ganhou
um título internacional oficial depois de 18
anos - desde o campeonato mundial interclubes, em
1981. A forma como foi conquistada agradou em cheio
a Imensa Nação Rubro-Negra. Depois de
uma semifinal em que se classificou no Uruguai eliminando
o Peñarol e agüentando a covardia do adversário,
que armou uma arapuca no término da partida
e encurralou o time no campo, o Mengão superou
o poderoso Palmeiras na final, com atuações
soberbas dos jovens valores formados na Gávea,
como Rodrigo Mendes, Lê e Reinaldo.
Junto com a decisão, a assinatura
do contrato de parceria com a ISL foi firmado, no
dia 17 de dezembro, anunciando um futuro de ainda
mais glórias para o Flamengo a partir do ano
2000.
Sucesso no novo milênio
O acordo com a empresa suíça
de Marketing Esportivo, a ISL, possibilitou ao Flamengo
realizar grandes contratações. Nesta
época, craques como o iugoslavo Petkovic, Edílson,
Gamarra e Vampeta e o respeitável técnico
Zagallo foram contratados e ajudaram o clube a conquistar
grandes vitórias e títulos importantes
para a história do clube.
Em 2000, o Flamengo conquistou o
bicampeonato estadual, ao vencer o Vasco no primeiro
jogo da final por 3 a 0, no Maracanã, com gols
de Athirson, Fábio Baiano e Beto. Na segunda
partida, no mesmo estádio, o Fla repetiu a
boa performance e derrotou a equipe cruzmaltina por
2 a 1, com gols de Reinaldo e Tuta, conquistando,
o bicampeonato estadual.
Mesmo com o final da parceria Flamengo
x ISL, que durou cerca de um ano, o Flamengo não
deixou a "peteca cair" e continuou o seu
caminho de vitórias e conquistas importantes.
Em 2001, o clube rubro-negro conquistou mais um tricampeonato
estadual, novamente contra o Vasco. No primeiro jogo
da final, o Mengo não conseguiu garantir a
vitória e acabou perdendo para o arqui-rival
por 2 a 1, Petkovic garantiu o único tento
do Fla. Na segunda partida, não teve pra ninguém.
O Flamengo venceu com méritos o Vasco por 3
a 1, com dois gols de Edílson e um suado gol
de Pet, aos 44 do segundo tempo.
A trajetória do Mengo durante
o início deste milênio é gloriosa,
vale descartar apenas a atuação do clube
no Campeonato Brasileiro de 2001, quando por pouco
o time não foi rebaixado para a segunda divisão.
Em outras competições, o Fla continuou
fazendo bonito, conquistou a Copa dos Campeões
ao derrotar o São Paulo e chegou à final
da Copa Mercosul ao vencer o Grêmio, nos pênaltis.
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